Já existem programas de teste como esse para vírus novos ou existentes?
Eles existem, mas são necessários mais programas. Os especialistas desta pesquisa listaram os programas de vigilância para identificar patógenos emergentes como a lacuna nº 1 na qual deveríamos priorizar os investimentos para estarmos mais bem preparados.
Há vários tipos de programas de vigilância: há a vigilância ativa, como a busca de casos sintomáticos em sistemas de saúde ou a vigilância baseada em viajantes em aeroportos ou portos.
Há também programas de vigilância passiva, como a vigilância de águas residuais, para se obter dados contínuos de vírus conhecidos, como a COVID-19 ou a gripe. Os países podem determinar quais programas de vigilância darão o melhor suporte para que suas comunidades estejam preparadas.
Estamos vendo muitas notícias sobre doenças relacionadas a mosquitos, como o vírus do Nilo Ocidental e a EEE (encefalite equina oriental). Elas estão relacionadas ao clima? Como devemos pensar sobre o risco desses surtos?
As mudanças no clima não causam surtos de doenças, mas podem acelerá-los, como se fossem gravetos para uma fogueira. O clima mais quente e eventos climáticos extremos, como enchentes, podem significar que mais animais transmissores de doenças estão se aproximando de onde as pessoas vivem.
Uma descoberta fascinante da pesquisa foi que, com a mudança climática, devemos dar mais atenção às doenças transmitidas por mosquitos - 61% dos entrevistados listaram os patógenos transmitidos por mosquitos como os mais prováveis de representar uma ameaça maior à saúde humana à medida que o clima muda, em comparação com carrapatos, patógenos aviários ou animais. E 92% disseram que é importante rastrear a variedade de insetos devido ao efeito sobre surtos de doenças infecciosas.
O vírus da dengue, um agente patogênico transmitido por mosquitos, esteve nos destaques da imprensa no ano passado, em grande parte devido ao alto nível de casos na América Latina, como vivenciamos no Brasil, e na Ásia, bem como aos avisos emitidos sobre a possibilidade de o vírus se espalhar para outras regiões, como os EUA e a Europa.
Os membros da Abbott Pandemic Defense Coalition (APDC) estão realizando pesquisas para ver como as mudanças climáticas podem afetar o local de propagação das doenças. Compreender onde os vírus estão localizados, como eles estão se espalhando e quais podem se transformar em surtos pode ajudar os países a realizar testes para evitar uma maior disseminação.
O que a mantém acordada à noite quando se trata de estar preparada?
A comunidade de saúde pública tem uma tarefa difícil: como comunicar efetivamente a necessidade de estarmos preparados para o próximo desconhecido.
Em termos de preocupações, as principais respostas que os especialistas nos deram foram: a necessidade de aumentar a confiança do público, o investimento contínuo em sistemas públicos de testagem e a capacidade de rastrear e identificar possíveis vírus emergentes e surtos em todo o mundo.
Há muitas organizações em todo o mundo que fazem esse tipo de vigilância de testes, incluindo a Abbott Pandemic Defense Coalition. Estamos vendo exemplos de países que estão dando continuidade a programas de testes para ajudar a reduzir a disseminação de doenças infecciosas que afetam suas comunidades, incluindo HIV, hepatite e aquelas que causam doenças febris agudas, como malária ou dengue.
Esses programas estão abordando os desafios de saúde atuais e, ao mesmo tempo, mantendo esses países preparados para possíveis surtos no futuro.
A boa notícia é que essa pesquisa sugere que o maior desafio não está na necessidade de novas tecnologias. Em vez disso, podemos aproveitar tudo o que aprendemos durante a pandemia da COVID-19 para criar um sistema robusto, resiliente e duradouro, focado em identificar e orientar a resposta a ameaças emergentes em todo o mundo.
Clique aqui para ler o relatório completo da pesquisa (em inglês).